A famosa história de Psicose




Antes de abordar uma das histórias mais famosas das telas sobre psicose, vou falar sobre meu entendimento do tema. Psicose é um tipo de doença mental que se caracteriza pelos delírios e pelas alucinações. Trata-se de um conceito genérico que compreende doenças como a paranóia e a esquizofrenia, e que está relacionado com a perda de contato com a realidade. O pensamento desordenado, as alterações a nível da personalidade, os comportamentos estranhos e a dificuldade de interagir socialmente fazem parte da psicose. Este distúrbio pode ter uma origem orgânica ou funcional e, nas suas manifestações mais ligeiras, é temporário e não afeta drasticamente a vida quotidiana das pessoas.

A psicose constitui um desvio na consciência da realidade, e não uma insuficiência da mesma (como no caso da oligofrênica). Existem diversas classes e tipos de psicose, que têm em comum as características já mencionadas.

A linguagem coloquial tende a associar a psicose com a loucura. Porém, as fobias, os ataques de pânico ou as condutas repetidas por aqueles que sofrem de transtornos obsessivos-compulsivos não fazem parte daquilo que possa ser considerado loucura do ponto de vista psiquiátrico. A psicose pode ser tratada com terapia e medicamentos antipsicóticos. Nos casos mais favoráveis, a terapia pode ajudar o paciente de modo a poder adaptar-se socialmente sem necessidade de tomar medicação. Psicose (no Brasil; Psico em Portugal), por último, é o nome de um filme realizado por Alfred Hitchcock que se estreou em 1960. Baseia-se num romance escrito por Robert Bloch, o qual, por sua vez, se inspirou num assassino em série chamado Ed Gein. O filme obteve quatro nomeações nos prémios Óscar e teve um remake em 1998.

Tanto no filme Psicose, como em sua série Motel Bates que é um longa referente ao filme conta a relação trágica do complexo de édipo de Norman Bates com sua mãe Norma. No filme, Norman já está na fase adulta e sua mãe morta, na série, conta como começou os indícios da psicose provindo do complexo de édipo que perdurou até a fase adulta.

Freud se apropriou desse mito para explicar o desenvolvimento sexual infantil, onde existe na relação da tríade (pai-mãe-filho) um desejo incestuoso da criança pela mãe e a interferência odiada do pai nessa relação. Para Freud todas as crianças desenvolvem um amor pelo pai ou pela mãe durante a infância. E esse amor é moldado e completamente definido antes do início da adolescência. O “amor” das crianças com seus progenitores se torna algo sentimental, e não sexual. Porém, existem casos em que o filho desenvolve um amor sexual pela mãe. E é aí que a teoria do Complexo De Édipo pode ser entendida.

Alguns dos sintomas do Complexo de Édipo incluí o ciúme que o menino sente da mãe, quando esta está num convívio mais íntimo com o marido, por exemplo. De acordo com Freud, a superação Complexo de Édipo é essencial para que a criança perceba a representatividade do pai na relação, assim como a estruturação da personalidade individual do menino. Caso não haja uma correta resolução do Complexo de Édipo, este pode acarretar algumas consequências no comportamento do futuro adulto, como: dependência exagerada do sexo oposto, submissão ou opressão. Norman é mostrado no seriado como o exemplo clássico de Complexo de Édipo, tendo inclusive, assassinado o próprio pai, pois o mesmo estava agredindo sua mãe. Norman conseguiu vencer a disputa com seu progenitor do mesmo sexo, agora sua mãe pertence somente a ele. Devido ao pouco contato com outras pessoas, Norman acaba por ficar preso num círculo familiar que é patológico; a falta de relação com outras pessoas contribui muito para que sua personalidade seja moldada apenas pela sua mãe. O comportamento ciumento da mãe em relação a Norman também agrava o processo, impedindo que o mesmo canalize seus desejos sexuais para qualquer pessoa se não sua própria mãe.

Embora, em alguns momentos a relação com sua mãe fosse conturbada, podemos ver o mesmo agindo de forma servil na cena seguinte. Norman jamais superou sua mãe em nenhum sentido. Mesmo após a morte da mesma ela continuava viva para ele, influenciando seu comportamento com ordens diretas do que ele deveria fazer. Sua mãe sempre possuiu um comportamento extremamente agressivo e autoritário, realizando punições diversas que acabariam por impedir que Norman pudesse superá-la. Norma Bates era uma mulher forte, ferida pela vida e que teve de criar seu filho sozinha, gerindo um motel falido no meio do nada. Era uma mulher tão forte que tornou impossível a missão de Norman de se tornar um adulto completo, livre do jugo parental e ciente de sí e de sua própria identidade.

Com o passar dos anos, Norman se aproxima cada vez mais de Norma. O vínculo cresce desenfreadamente, tanto por parte dele, quanto por parte dela. Uma espécie de paixão surge na cabeça de Norman. Ele percebe que ama a mãe, porém, de uma maneira diferente. Tanto é que, para acabar com toda a confusão que permeia seus pensamentos, ele acaba matando sua progenitora. Norman sofre pela morte de sua mãe (e grande amor de sua vida), e acredita que parte da alma e memória de Norma ainda vive. Ele guarda o corpo de sua mãe dentro de casa, e cuida do cadáver, a fim de sempre ter a companhia dela. Além disso, Norman “incorpora” sua mãe às vezes, e se passa por ela. Tudo isso é uma mistura de problemas mentais com o complexo teorizado por Freud. Em sua própria mente, Norman se vê como Norma. Um transtorno dissociativo de identidade faz com que ele assuma (de vez em quando) a personalidade da sua mãe falecida.

É obvio que nem todo Complexo de Édipo mal resolvido vá evoluir para algo nesse gênero, no caso no Norman teve agravantes, pois o mesmo já parecia ter uma personalidade psicótica, indicando algum outro problema. Porém embora pareça doentio demais, é possível encontrar personalidades parecidas em criminosos, serial killers na vida real. Norman Bates é um prato cheio para os que gostam de estudar sobre psicoses, serial killers e o que os motiva.

(redação escrita por mim - Andreia Capraro - para trabalho de formação de Psicanálise Clínica pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea)



0 visualização

São Paulo

11 98243-7890

skype: andreia_capraro

  • Blogger ícone social
  • Facebook ícone social
  • Instagram

Terças : 20h - 22h

Quintas: 20h - 22h​

© 2019 by Andreia Capraro.